Um relato de discriminação racial tem chamado a atenção para práticas consideradas abusivas e excludentes no mercado imobiliário de Lorena, no interior de São Paulo. Professor da rede estadual desde 2021, o denunciante afirma ter enfrentado repetidos constrangimentos ao buscar imóveis para alugar e adquirir no município, situações que classifica como racismo institucional e estrutural.
Segundo o relato, ao se mudar para a cidade, o professor entrou em contato com diversas imobiliárias e corretores em busca de uma casa para alugar. Durante as negociações, afirma ter sido submetido a exigências consideradas excessivas e desproporcionais, como múltiplos avalistas, cauções elevados e questionamentos insistentes sobre capacidade financeira. Em um dos episódios, relata que a exigência de comprovação de renda foi feita de forma ríspida, acompanhada de julgamentos explícitos.
Diante da situação, o professor pediu que o esposo, um homem branco, entrasse em contato com os mesmos corretores e imobiliárias demonstrando interesse nos mesmos imóveis. De acordo com o denunciante, a abordagem foi completamente diferente: houve oferta imediata de diversas opções, com valores e condições apresentados sem a exigência prévia de comprovação de renda.
Após dois anos residindo em um imóvel alugado no centro da cidade — conseguido, segundo ele, por meio de uma proprietária que o tratou com respeito — o casal adquiriu uma casa própria no bairro Vila Nunes. No entanto, os constrangimentos, segundo o professor, se repetiram durante o processo de compra.
Atualmente, ao buscar um espaço para atendimento clínico-terapêutico, com atuação nas áreas de logoterapia, neuropsicopedagogia e psicologia, o professor afirma que as mesmas práticas discriminatórias continuam ocorrendo, com questionamentos e exigências que, em sua avaliação, não são aplicadas de forma igualitária.
O denunciante questiona o modelo de atuação de parte das imobiliárias e corretores da cidade e critica a falta de transparência nos critérios de locação. “Se há restrições quanto ao perfil de quem pode alugar determinado imóvel, que isso seja informado de forma clara, e não por meio de práticas discriminatórias”, afirma.
O caso reacende o debate sobre a permanência de estruturas excludentes no mercado imobiliário e levanta questionamentos sobre até que ponto práticas herdadas de um sistema colonial ainda influenciam relações comerciais e sociais no município.
Por fim, o professor faz um apelo para que outras pessoas que tenham vivenciado situações semelhantes entrem em contato de forma privada. O objetivo é reunir relatos e avaliar a possibilidade de uma ação judicial coletiva contra imobiliárias e corretores que adotem condutas discriminatórias. “É preciso dar um basta a esse tipo de violência silenciosa e enfrentá-la também pelos meios jurídicos”, conclui.








